terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

...e a Hennes & Mauritz também mexe comigo.

Ou H&M, como preferirem. Isto das compras online dá cabo de mim. É que crio necessidades novas de cada vez que visito o site:
Este trench desconstruído faz-me falta porque só tenho um em cru e um azul escuro.

Este vestido dava imenso jeito para usar na Primavera e é muito versátil.

Esta T-shirt é gira e fica bem com tudo, ideal para quando não me apetece pensar muito.

Estes botins ficam o máximo...

...com este biker.

Estes loafers são a coisa mais amorosa.

Este blazer tem dois botões e o meu cor-de-rosa só tem um.

Esta sweat é gira e faz-me falta. Muita.

Beleza sem idade

Na última quarta-feira saiu mais um texto meu para a rubrica que assino no Pombal Jornal

Mulheres, este texto é para vocês, se quiserem saber que artefactos utilizar no quotidiano para aparentar frescura e jovialidade.

Tenho clientes que a partir de determinada altura das suas vidas começaram a sentir que o seu aspecto físico não espelhava a sua personalidade. Como se vestissem a pele de uma senhora com mais idade do que a sua, não se reconheciam ao espelho – e não é de roupas que falo. Desde o cabelo, enfraquecido, à pele do rosto, menos firme, várias são as preocupações apresentadas por quem ainda é alguém vivo, desperto e cheio de energia e que apesar de não se importar com o número de anos de existência (uma bênção, cada vez que contabilizamos mais tempo por cá), continua a querer reflectir juventude.

Se a ciência evolui e com ela a cosmética, hoje em dia podemos dar graças pela quantidade de opções disponíveis para retardar o avanço da idade. Contudo, o que quero é partilhar convosco cinco truques que representam investimentos monetários relativamente acessíveis, pequenos apontamentos que fazem toda a diferença na forma como nos vemos ao espelho e, consequentemente, no modo como os outros nos olham.

Espreitem!

sexta-feira, 16 de fevereiro de 2018

aspectos práticos que me fazem espécie

Penélope Cruz
Já aqui dei a minha opinião quanto a voltar a tentar. Acredito em reencontros quando são movidos por amor, que o romantismo faz parte de mim e a fé dá-me esta capacidade quase ingénua de acreditar em milagres - sem ironias. 

Em contrapartida, na maioria dos casos sou uma descrente. Se não vejo amor, sou a primeira a ver cobardia em quem decide não abandonar a sua zona de conforto fazendo uso de desculpas. Há várias, tantas como os casos de não-amor que existem. 

Há os namorados que até vivem juntos porque ela mantém a casa limpa e arrumada. 
Os casais que não querem desapontar a família ou os amigos, que ficariam com as férias de Verão arruinadas. 
Há aqueles que não querem abrir mão da companhia para marcar presença nos casamentos dos amigos. 
Outros que apontam os filhos como razão para ultrapassar diferenças outrora impossíveis de colmatar, como se a harmonia se pudesse forçar e como se fosse possível disfarçar a ausência de paz, compreensão, amor e devoção no seio do casal. Às vezes pergunto-me se a infância destes últimos terá sido assim tão mais longínqua que a minha, já que consigo recordar-me com frescura da forma como sentia, ainda que não compreendesse tudo o que me rodeava. As crianças podem até nem perceber racional e intelectualmente o seu contexto mas absorvem-no através do sentir e distinguem o real do que é falso, o bom do que é nocivo, o saudável do que é tóxico. Não há ambiente favorável ao crescimento de uma criança quando a família é apenas fachada. 
Conheço fulanos que afirmam ter na namorada uma simples amiga e que se envolvem com muitas outras pessoas fora da relação, sem consentimento ou conhecimento da outra parte, preferindo essa vida pobre à liberdade de poder encontrar lá fora algo que os preencha verdadeiramente. 
Conheço mulheres cheias de potencial para arriscar sair de relações insatisfatórias e assumir um papel poderoso nas suas vidas mas que passam os dias com medo e culpa. Sabem que são subestimadas, que não são tratadas como merecem e ficam ali. 

Não entendo.
Mas há outra coisa que não entendo.
Um aspecto prático e aparentemente pequeno mas que me faz espécie.

Como é que se volta para os braços de alguém com quem estivemos no passado, depois de um longo período de tempo em que cada um esteve com quem quis, sem precisar de mudar a cama e o colchão? Como assim? Não há nem uma pontinha de nojo por voltar ao quarto onde já esteve outra mulher? Não há asco por voltar a um espaço que entretanto já foi o cenário de outra pessoa? Houve outro alguém a dormir ali e isso não faz mal? O que é isso? Amor? Que sentimento é esse? Eu não sei amar sem ciúme nem posse e talvez o defeito seja meu, daí a dúvida. 
Sei que se voltasse para um ex meu (Deus me livre), não quereria partilhar com ele um lugar que tivesse sido dele e de outra mulher. Não seria capaz de superar o facto de ele ter corrompido aquele que tinha sido o nosso lar. Não ia aguentar o ardor no peito por me lembrar de cada vez que outra mulher poderia ter-se deitado na nossa cama, usado a nossa casa-de-banho, tomado o pequeno-almoço na nossa cozinha. Até o sofá seria objecto de ódio, já que de certeza que teriam estado juntos e abraçados ali, a ver qualquer coisa na televisão ou a beber um copo de vinho perante a lareira acesa. Teria ela usado o roupão dele? Terá sido uma amante perfeita, daquelas que o acordam com um pequeno-almoço maravilhoso? 

Não sei, penso nestas coisas menores quando me contam histórias que me impressionam.

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Sou viciada na ZARA e então?

Estou sempre atenta ao que sai e esta semana estou de olho:
neste vestido verde que grita Primavera.

neste vestido amarelo.

nestes brincos maravilhosos.

neste saco adorável.

nesta camisa de ganga com bordados lindos.

sexta-feira, 9 de fevereiro de 2018

Parabéns, Mi!

Hoje é dia de festa.
Dia de orgulho. 
Dia de celebração.

Hoje é um dia maravilhoso, um dia em que sinto o meu coração rebentar de felicidade. 

A Mana Lamparina termina hoje uma jornada a que se propôs e que concretizou com muita responsabilidade, imenso empenho, uma enorme dedicação, uma maturidade incrível e um esforço notável.

Durante o tempo em que foi aluna de Gestão Hoteleira, a minha irmã abdicou de vida pessoal, de tempo em família, de noites divertidas com amigos, de férias, fins-de-semana e manhãs na cama.
Fechou-se no quarto enquanto decorriam jantaradas na cozinha.
Acordou cedo aos Sábados e aos Domingos para terminar trabalhos.
Abriu mão de um Verão inteiro.
Vestiu a farda com todo o coração e deu-se por inteiro à escolha que fez.
Entregou-se.
Assumiu o compromisso e superou expectativas, sempre com resultados brilhantes, com amizades novas pelo meio e permanecendo fiel à sua essência.
Os últimos meses foram de uma agitação indescritível. Muita ansiedade, muito para fazer e ela sempre lá, a cem por cento, inteira e presente nas suas várias funções, dando de si sem pudores a cada tarefa nova. 

Termina hoje esta sucessão de desafios e eu não aguento de felicidade. Mal posso esperar para ver que retorno terá - e eu sei que já começou a senti-lo.

Admiro-a porque reagiu numa fase difícil e ao invés de ceder à autocomiseração, transformou um sofrimento profundo num feito maravilhoso. 

Agora é tempo de colher... mas antes disso, vamos descansar juntas?

Parabéns, Mi! 

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

triagem

Anna Dello Russo
É interessante como aquilo que se diz sobre os tempos mais difíceis revelarem as verdadeiras amizades é real. É nesses períodos de aridez que nos surpreendemos com alguns e nos desiludimos com outros.

Quanto a mim, foi numa das épocas de maior dor que o meu olhar se tornou mais nítido. De um momento para o outro, as pessoas que tinha como grandes e íntimas amigas, afastaram-se. Não quiseram saber. Não era com eles, era só meu o pesar. Eu que lidasse com ele e me recompusesse. 
Acredito que a maioria das pessoas não saiba lidar com o sofrimento alheio. É cansativo, é aborrecido, é penoso. É muito mais apelativo estar perto de quem sorri sempre, anima sempre, faz rir sempre. Quando a gargalhada é substituída pela lágrima contínua, quando a piada divertida dá lugar ao silêncio do olhar vazio, é mais fácil fugir. 

É bíblico: "Melhor é ir à casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete" (Eclesiastes 7:2). Não é comum, no entanto. 

Por outro lado, é também nesses momentos que as boas surpresas acontecem. Aparece quem nunca esperávamos, preocupa-se quem não julgávamos próximo, puxa-nos para cima quem nunca tínhamos olhado como um amigo. E depois, à distância de algum tempo, percebemos que foi melhor assim e damos graças por ter ficado apenas quem vale a pena. 

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

É assim.

...e o curioso da vida é que se num dia recordamos quem já não está cá, noutro celebramos mais um aniversário de alguém.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Passaram dois anos.

Meu querido, há uma frase que digo sempre, há muito tempo: a única diferença entre a ficção e a vida real é que na primeira, tudo tem que fazer sentido. 

Isto é a vida real. A minha, a dos teus, a nossa. Passaram dois anos e continua tudo tão fresco, tão profundamente terá sido gravado em mim. Sempre tive memória de peixe e essa noite, os dias seguintes, os meses depois, recordo-os como se estivessem a acontecer agora, com uma presença incrível.  Lembro-me de ti todos os dias. Vou lembrar-me sempre. 

Depois da incredulidade e depois do choque, veio tudo o resto. E foi tanto. Uns voltaram às suas existências tentando em vão fingir que nada acontecera. Outros mudaram de rumo, de casa, de trabalho, tentando fugir do que foi. Houve quem se perdesse por completo e só agora esteja a voltar das cinzas e quem tivesse canalizado toda a dor para uma produtividade heróica. Independentemente de todas essas diferenças, há algo comum aos tantos que te perderam: todos sentimos que a tua partida mudou tudo. Há pessoas a quem me sentirei ligada para sempre. Há pessoas que não quero voltar a ver. A outras, faltou coragem para permanecer ao meu lado, que é sempre melhor estar perto de quem sorri sempre. Mudou tudo.

Foi tão violento que me mudou também. Desde as entranhas, sou outra. A minha estrutura mudou, o meu olhar mudou, a minha relação com Deus mudou, as minhas prioridades mudaram. Alterou-se o espaço disponível para o que não interessa e para quem não importa. Dois anos e está tudo diferente. Ias gostar de ouvir as novidades. Sei que sabes delas. E que estás bem. Sei-o com toda a certeza que pode caber dentro do meu corpo terreno. Talvez um dia possa contar tudo. Todas as coincidências, todos os acontecimentos, tudo o que me faz saber e sentir com tanta convicção. 

Sabes aquela sensação que temos, às vezes, de não conseguir recordar o rosto de alguém por não o ver há muito tempo? Contigo, não me aconteceu. Os dias não te apagaram. Dois anos sem te ver e não me esqueço de nada. 

Não quero esquecer nunca.

Agora que a culpa já me abandonou, que aceitei não poder mudar o passado, a dor não é desesperada - é esta lágrima que não contenho, por vezes um sorriso provocado por uma memória boa, noutras alturas um cantar baixinho aquela música que vai ser sempre a tua. 

Vou ter saudades a vida toda. 

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

«Tu tens é inveja»

Entre as muitas coisas que não percebo, há uma que além de não entender, me irrita profundamente. Vejo-o todos os dias, pelas redes sociais ou até numa mesa de café, entre amigos. 

Tudo começa quando uma mulher tece um comentário depreciativo sobre outra, discorda com outra ou critica determinada atitude tida por outra mulher. Por exemplo:
- Já viste as fotos desta fulana? Qual é a necessidade de se despir nas redes sociais?

Há sempre alguém que responde com o básico «tu tens é inveja».

Vamos começar pelo princípio: de facto, existe uma frase que apela a que não tendo nada de simpático para comentar, se fique calado. Até certo ponto, concordo e a verdade é que infrinjo essa regra apenas quando estou junto do meu núcleo duro, em que faço todos os comentários sinceros, honestos e brutos que me apetecer. Com o resto do mundo, não deixo o sarcasmo de lado mas contenho-me (pelo menos não refiro nomes!). Faço-o por uma questão de educação, já que nem sempre estamos cientes de que podemos ferir susceptibilidades alheias. 
Tudo bem, as pessoas podiam ser todas cordiais e hipócritas e optar por calar sempre a sua opinião negativa, no entanto, o planeta não funciona assim e há quem fale sobre os outros livremente, sem pudores - seja o visado uma celebridade estilo Kim Kardashian ou não. 

Não é esse o meu foco hoje. O que me irrita é a presunção de que quem aponta o dedo o faz sempre por inveja. Melhor: se for uma mulher a criticar outra, a única razão para que o faça é a inveja. Não nego que isso aconteça, pelo contrário, mas acredito que não seja sempre essa a motivação para manifestar opiniões contrárias ou mero desagrado por pequenas coisas.

Sei que assim é porque não invejo a atenção que recebe uma porquitxona do Instagram e critico-as sem nunca desejar agir como elas. 
Sei que assim é porque quando uma amiga minha não entende a excessiva exposição a que alguém sujeita os seus filhos e o menciona, está a ser sincera porque simplesmente não concorda com isso e não o faz. 
Sei que assim é porque por mais parvas e mesquinhas, competitivas e cabras que as mulheres possam ser entre si, não são apenas isso. 
E sei que assim é porque acredito que antes de sermos mulheres, somos seres humanos... e porque quando criticamos um homem, ninguém diz que o fazemos por inveja. 

Tudo isto porque vi uma amiga ser atacada e rotulada de invejosa por ter uma opinião contrária à de alguém e achei extremamente redutor que o primeiro ataque fosse «tu tens é inveja».

Desbloqueadores de conversa com o engate na mira:

"- Gosto muito dos teus sapatos e achei que se falasse sobre sapatos irias dar-me conversa."

[ ver anterior ]

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

Como fugir do engate III

Recordo que todas as tácticas que partilhar aqui foram previamente testadas por mim, por isso prometo dar-vos apenas técnicas infalíveis para que o atrevido da falinha mansa se ponha a correr em poucos segundos.

Terceira maneira eficaz de fugir do engate: 

Quando ele se aproximar de vocês com o intuito de meter conversa, não o deixem falar e comecem logo a guinchar no tom mais agudo que vos for possível, enquanto agarram o braço da vossa melhor amiga. Vão intercalando o guincho com a frase "detesto que me toquem" gritada a plenos pulmões.

[Podem ver a segunda edição desta rubrica aqui ]

Ultra Violet

Anunciada no início do mês, a cor apontada pela Pantone para o ano de 2018 é uma das tonalidades que mais controvérsia gera. Pessoalmente (e quem acompanha a minha página de Facebook já reparou), odeio. Não suporto, não uso e não aconselho, ainda que tenha plena noção, como devem imaginar, de que há formas muito elegantes de usar este género de tonalidades: sempre com classe, tanto em vestidos leves, vaporosos e fluídos, como em peças lisas e em contraste com tons pastel ou misturadas com branco. 
A cor do ano é adequada para pessoas de peles frias e exige cuidados específicos para não pesar, pelo que devemos evitar misturá-la com preto ou castanho, por exemplo. 
Na rubrica Rendalíssima, que assino no site do Pombal Jornal, partilho sugestões para fazer uso do roxo no dia-a-dia, com bom gosto, para que não pareçam uma homenagem ambulante à Páscoa.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Já cansa.

Já cansa, disse, enquanto a ouvia falar sobre esta frieza que se exige de toda a gente. Como se não fosse o ser humano um ser social. Já cansa. Já não há paciência para todos estes medos, estas máscaras, estas barreiras. Todos temem mostrar, dar, ser. Já cansa. 

Falávamos de quão ridículo é que exista receio em revelar sentimentos - pior: que exista receio em manifestar qualquer tipo de vontade, por se temer má interpretação.

Passo a explicar: vivemos tempos em que as pessoas estranham a natural simpatia. Estranham o elogio desinteressado. Estranham um convite para um café, uma mensagem sentida, uma sincera vontade de estar com o outro, conhecer o outro. Interesses amorosos estão incluídos mas não são o único caso em que os receios se fazem sentir. A questão «mas porque é que ela quer ser minha amiga?» também surge com demasiada frequência. Acreditamos mesmo que toda a gente é mal intencionada?

Tenho a sensação de que andamos todos a competir para descobrir quem consegue ser mais frio e mostrar menos: 
- Recebi mensagem dele agora. Vou esperar uma hora para responder para que não pense que estou desesperada.

- Ela está a ligar? Vou deixar tocar um bocado. Fazê-la esperar. Ou talvez nem atenda e ligue amanhã.

- Recebi um convite para jantar hoje e apetecia-me ir, no entanto adiei para não parecer fácil ou desocupada.

- Ele postou uma foto maravilhosa, ai de mim fazer like ou ainda pensa que estou obcecada. 

- Salto sempre as stories dela no Instagram para que não me ache um stalker. 

Quando é que nos tornámos nisto? Quando é que decidimos ser preferível adiar a vida, o contacto com os outros, a conexão com aqueles por quem nos sentimos atraídos - mental ou fisicamente, com ou sem romance à mistura? Porque é que demos lugar ao medo do que vão pensar em vez de confiar nas nossas reais intenções e deixar as interpretações para quem as constrói? O que interessa o que pensam do que fazemos se o que pensam for mentira? Do que nos estamos a proteger? 

Se já estamos sem aquela pessoa na nossa vida, porque havemos de temer correr o risco? Se o «não» é tudo o que temos agora, então porque não tentamos ter mais? Porque é que não batemos à porta? Porque é que não abrimos a porta? Porque é que fingimos desinteresse uns pelos outros? Porque é que não fomentamos conversas nem criamos oportunidades? Figura de parvo faz quem faz tempo para responder a mensagens, contando os minutos enquanto formula uma frase seca e distante para não parecer cativado. Estúpido é quem acha que simpatia é flirt. Ignorante é quem pensa que ter a porta aberta para pessoas novas é solidão. 

Devíamos instituir um movimento anti-frieza, ou arriscamo-nos a passar ao lado de histórias lindas, valiosas e inesquecíveis, perdendo para sempre pessoas maravilhosas com quem poderíamos rir, tomar um café, jantar, ir a um concerto, conversar durante horas, para viver uma existência sem sal, sem açúcar, sem sabor. 

Já cansa. 

sexta-feira, 26 de janeiro de 2018

v i v e r

Fazem-me impressão as pessoas que vão existindo, deixando que os dias, as semanas, os meses, os anos passem sem que vivam em plenitude. Por preguiça, comodismo ou desinteresse, tornam-se as pessoas mais desinteressantes do planeta.

Gosto de ver gente viva, com atitude, que sai de casa para sentir o Sol na pele e o vento gelado na cara. Gente que explora a cidade onde vive, que aprecia o café numa esplanada e que procura um novo livro para ler. Gente que não precisa de companhia para ir ao cinema ou ao teatro. Gente que vive. Gente que convive.

Gosto de quem tem facilidade em conhecer pessoas novas, em apreciar pequenos momentos de solitude e prazeres subtis no dia-a-dia. Quem aprecia detalhes e quem pensa para além do visível.

Preocupam-me as pessoas paradas, quietas e sem iniciativa. Fechadas, submersas na superficialidade de uma vida desprovida de sentido. Sinto que daqui a alguns anos, ao olhar para trás, sentirão que não viveram e serão mares de arrependimento.

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

[ be yourself ]

Kendall & Gigi 
Que a beleza de uma mulher não tem qualquer influência na beleza de outra mulher é uma certeza bem sólida no meu coração. 

Ainda que reconheça a elegância das proporções de uma Naomi Campbell e a admire, tenho a certeza de que isso não afecta a forma como me vejo, me julgo e me sinto em relação ao meu corpo. 

Por exemplo, sou fã do cabelo da Blake Lively e no entanto, sei que aquele louro não funciona no meu tom de pele e seria incapaz de o copiar. Adoro os caracóis da minha irmã e não tenciono assumir a minha ondulação natural nem fazer uma permanente. Sou fã do sentido estético dela e não o quero replicar. Admiro traços de personalidade nos outros que, no máximo, me inspiram a melhorar o que sou.

Quem se conhece, se aceita e se ama, não quer vestir a pele de outro. Quem tem personalidade não copia, ainda que se inspire. Quem é seguro de si quer apenas ser quem é.

Ser o outro é um lugar que já foi ocupado - guess what? - pelo outro! Este papel que me foi atribuído, de ser eu, tem de ser desempenhado por mim. Não há tempo para perder, não há ensaios, a peça está a decorrer agora. Eu, com esta personalidade, estes gostos, esta inteligência, esta sensibilidade, esta emotividade, este ser. Eu, com este corpo, esta estrutura óssea longe de ser esguia, este pescoço alto, esta cabeleira farta, estes olhos papudos, este sorriso enorme. Eu, que independentemente de tudo o que não sou nem tenho, sou eu.

É do auto-conhecimento que vem a auto-estima. Quando sabemos que pessoa somos, defeitos e virtudes, passamos a gostar mais do todo complexo e denso que nos forma a identidade. E quando nos amamos - mãos, pés, boca, alma - apreciamos cada especificidade, cada particularidade que nos distingue dos outros. Quando isso acontece, não queremos ser outra coisa que não seja o nosso eu. É para connosco a nossa lealdade maior.

Talvez por tudo isto me cause repulsa a falta de personalidade, que se mostra em pormenores, que é nos detalhes que se vislumbram grandes revelações. Às vezes irrita-me, outras entristece-me. Sempre que alguém tenta ser o que não é, a base é a mesma: falta de amor por si.

E se a imitação poderia causar-me alguma vaidade, a verdade é que tem o efeito oposto. Incomoda-me, retrai-me, afasta-me. A condescendência afecta a forma como olho para quem insiste em tentar assemelhar-se a mim e isso influencia a minha postura - dou-me menos.

Todas nós passámos por isso: todas tivemos aquela amiga que nos admira e que começa a reproduzir o que somos, vestimos ou fazemos, de forma velada. Aquela a quem contámos querer um determinado blazer azul e que no dia seguinte aparece com o tal vestido, fingindo não ter ouvido o que lhe fora dito. Aquela que passa a amar ananases depois de descobrir que até temos uma tatuagem com um ananás. Aquela que copia as nossas ideias e as executa de forma incompleta ou incorrecta antes de as colocarmos em prática, só para poder ser a primeira. 
Todas sabemos que se essa mesma amiga dissesse apenas que adora o nosso casaco novo e que gostaria de ter um igual, o problema não existiria. A questão é que quando há uma certa inveja - e não me venham com a treta da inveja branca; inveja é inveja e não consta no meu vocabulário - esse género de coisinhas mesquinhas mina a relação e espelha o que se passa lá dentro, na relação que essa pessoa tem consigo mesma. Por norma, reduzem-se, inferiorizam-se e são poços de insegurança.

Na minha concepção de amizade, não há lugar para competições vãs nem invejas. Onde isso existe, não há amizade, há outra coisa qualquer. Em tudo na vida, a comparação não é um bom mote, exactamente porque cada um é um só: na origem, no contexto, no percurso, nas experiências, na maneira de ser, na perspectiva, no tipo de raciocínio que lhe é natural, nos gostos.  

Então acredito que cuidar de nós é prioritário. Tornar-me na minha melhor versão impede que comparações estúpidas afectem o modo como me sinto em relação ao que sou. 
E há tanto para fazer, tanto investimento por onde começar! Sugestões? 

Terapia para melhorar a auto-estima, que proporcione melhor conhecimento acerca do todo que somos e nos faça andar em frente no caminho da aceitação, resolvendo questões antigas e destruindo mitos que sejam obstáculo para que nos amemos e possamos evoluir.

Criação de novas rotinas espirituais e de contacto com a Natureza, momentos só nossos que nos façam sentir de energias renovadas e que tornem mais nítida a visão, para que possamos ver tudo o que de bom somos e temos ao nosso redor e sentir genuína gratidão por isso. Há quem precise de se descalçar na areia, quem anote diariamente os pontos fortes do seu dia, quem faça yoga, quem medite ao som de mantras... 

Cuidar do corpo para uma imediata sensação de bem-estar e de crescente satisfação com o nosso invólucro e pelo nosso futuro eu. É preciso mexermo-nos e entre dançar, correr ou nadar, alguma coisa há-de ser agradável. Apostar numa alimentação equilibrada e nutritiva é essencial para que nos sintamos tão leves como despertos. Ser atento aos cuidados com a pele é indispensável e não são precisos mais do que alguns minutos por dia para implementar rituais que a melhorem. Não é vaidade, é saúde.

Devemos mimar-nos. Seguindo a linha de pensamento do ponto anterior, uma máscara facial por semana fará maravilhas. Uma ida ao cabeleireiro, um passeio numa cidade diferente, uma mudança de visual através de uma mera extensão de pestanas, um workshop que nos entusiasme, uma massagem relaxante, uma fatia daquele bolo delicioso, um livro que nos prenda, uma ida a um concerto ou a um teatro, um hobby novo ou aqueles sapatos excêntricos - não interessa o que é, importa apenas que nos faça sentir mimadas. Falo de pequenos luxos que são também uma forma de nos incutir a sensação de que somos importantes para nós.

Definir um estilo e vivê-lo diariamente. Claro que um Consultor de Imagem o descobre em três tempos e fornece todas as directrizes necessárias para que o que usamos reflicta a pessoa que somos, mas na impossibilidade de recorrer aos serviços de um profissional, devemos comprometer-nos a escolher apenas o que nos faz sentir muito bem - mais ou menos nunca é suficiente. É suposto que a roupa nos incremente a confiança, melhore a nossa aparência e nos divirta, em vez de nos apagar ou de trazer desconforto.

Não ser simplesmente anti. Cultivar o amor. Ser anti-qualquer-coisa só porque sim não chega. Descobrir o que nos faz vibrar é parte do objectivo da nossa estadia no mundo. Encontrar paixões, saber o que nos move é o que nos faz sentir vivos. 

Ninguém nunca marcou a diferença no mundo por ser igual aos outros.

[ be yourself. and enjoy it ]

quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

a d u l t i f i c a r

É o verbo que uso para descrever uma necessidade premente no guarda-roupa de muitos clientes. 

A passagem para o mercado de trabalho deveria ser o mote para este processo de crescimento, no entanto tenho trabalhado com pessoas com idades compreendidas entre os 25 e os 35 anos que ainda não largaram as vestes da adolescência.

Tive recentemente contacto com uma mulher prestes a entrar na quarta década de existência e que continua a vestir-se como a maria-rapaz que era aos 17 - tudo bem em manter a vibe tomboy, basta que se faça um upgrade para a actualidade.

Um dos meus clientes é um médico com 33 anos que insiste em manter-se escondido por detrás das escolhas que fazia enquanto estudante universitário - não há nenhuma lei que imponha a ausência de frescura e leveza em quem se veste como um adulto, basta seguir algumas directrizes.

Trabalhei no ano passado com uma empresária de 35 que não abria mão de leggings e casacos de malha numa base diária - teve que aprender a levar o conforto para outro nível.

Comecemos pelo início: a única constante da vida é a mudança. Muda a idade, o nosso contexto, mudam as exigências do nosso dia-a-dia, os nossos objectivos e a nossa imagem deve acompanhar essa evolução de forma natural.  

Não se trata de usar apenas fato e gravata, tailleur e salto alto. Não é suposto abrir mão de cores, estampados e de diversão. Não é deixar de usar ténis, sweatshirts ou blusões de cabedal, mas sim de adequar as nossas preferências e gostos à pessoa em que nos tornámos. Não é envelhecer o look, mas torná-lo adulto, construindo uma imagem credível, composta, ainda que jovial.

Na verdade, quando não nos permitimos vestir de acordo com a idade que temos, o look tende a cair no ridículo ou no desleixo. Por tudo isto, deixo-vos três formas para que descubram se o que vestem corresponde ao que realmente são:

1. Quando se veste de manhã e olha ao espelho para contemplar o resultado final, sente-se super confiante com a escolha que fez ou sente que
1.1. passará despercebido(a)?
1.2. tanto faz.
1.3. para o que é, vai assim mesmo.
1.4. desenrasquei-me.
1.5. está mais ou menos.

Se se sente extremamente confiante esperemos que seja pelos motivos certos, à partida está tudo bem. Se se identifica com qualquer outra opção, talvez esteja na altura de pensar em fazer com que o espelho reflicta quem é.


2. Quando se veste e constrói um coordenado, usa sempre apenas duas peças (camisola e calças, por exemplo) e um casaco por cima?

Se o faz, precisa de ajuda. Um outfit só o é realmente quando é composto por mais elementos do que os descritos acima. 


3. Há quanto tempo sente que não dá um UP no seu closet?

Abra as portas do seu armário e veja o que tem. Gosta do que vê ou não há nada de novo e entusiasmante?


Claro que também existe quem se vista de forma demasiado velha para a idade que tem... mas isso é assunto para outro post!

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

Primeira dose de pérolas do ano!

São as primeiras pérolas do ano e uma vergonha para qualquer ser pensante. Tenho mais guardadas no meu smartphone, mas exceptuando a última deste post, prefiro manter o registo nacional e seleccionar apenas as evidências de descuido no uso da nossa Língua Portuguesa. Desde dia 4 de Dezembro que não nos ríamos com estes pedacinhos de imbecilidade, aposto que tinham saudades. 

abaicaixi
Uma pessoa fica sem perceber se o amontoado de letras acima é uma tentativa de referir um fruto ou uma palavra fofinha dita por um bebé, relatando um episódio em que terá tentado baixar-se para fazer xixi e caído.

granoula 
Cá para mim, a alma que escreveu isto deve dizer granola com um acento circunflexo no o. Granôla. E vai disto, para que se perceba bem ao ler, acrescenta-lhe um u. Granoula.

complicidade
Porque sem plicidade não dá.

assim toda a gente fica ocorrente
Surpreende-me, acima de tudo, a criatividade que caracteriza as pessoas que usam expressões sem pensarem no que dizem. É isso que as leva a escrever coisas sem sentido. Bastaria pensar durante 15 segundos e perceberiam que nunca fica toda a gente ocorrente de uma situação.

a tua humildade ninguém tira-te-a
E a tua burrice, pelos vistos, também não. Credo. Why, God? Tira-lhe-a a capacidade de respirar e poupa este planeta de tanta estupidez condensada em tão poucos hífenes.

eu já vou-vos mostrar
Confesso que reparo neste género de calinadas na oralidade, mas até consigo perdoar. A coloquialidade relaxa a gramática e tento ser tolerante e não desatar a corrigir o meu interlocutor. Na escrita parece-me excessivo.

estou muito enteressada
Um misto de entrelaçada com stressada. Português de fusão, lembram-se?

caracoes
Quem os tem, por norma, são pessoas que não usam o cabelo leso. 

credebelidade 
A não ser que o nariz esteja entupido e o ranho já chegue aos dedos, o que levará alguém a escrever credebelidade?

quem consegui-o 
Quem consegui algo masculino, consegui-o. Se for feminino, consegui-a. O que interessa é que consegui.

armonia 
Se o h é mudo, é inútil. Se é inútil, poupemos caracteres. 

imatrial 
Em Inglês, até poderia ser um hashtag super estranho: #imatrial - I'm a trial. Mas era em Português, numa referência ao Fado, Património imatrial da Humanidade. 

já mais
Nunca ou agora soma?

as pedras caiem
Verbo caiar, de aplicar cal.

rosa fucha 
Puca gente cremos sê bem, a gente somos da Moda, a gente não podemos dizer rosa choque, então dizemos fucha, mesmo que não façamos ideia de onde raio veio essa palavreca.

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

evitar o que não nos acrescenta

Jessica Szohr
O último ano foi dedicado a um profundo trabalho interior. Fortaleci alicerces, voltei a mim. Foi uma viagem transformadora e tem tido consequências visíveis diariamente, em todos os sectores da minha existência. Uma das que mais me fascina é a facilidade com que passei a evitar pessoas tóxicas e situações que baixem a minha vibração. Proteger-me é uma prioridade, agora que tenho consciência de como era alvo de aproveitamento por parte de outros. 

É mesmo assim, há mesmo quem se alimente da nossa atenção, do nosso consolo, da nossa alegria, da nossa leveza, da nossa luz, para depois aparecer novamente apenas quando precisa de recarregar. Se foi doloroso descobri-los no meio dos que tinha como meus? Tremendamente. Se preferia viver na ignorância? Nunca. 

É maravilhoso tirar da nossa vida quem faz uso do que somos para proveito próprio. Há quem precise de nós porque somos bons ouvintes mas nunca pergunte como estamos. Há quem nos procure quando se sente só mas não se lembre de nós quando tem companhia. Há quem peça ajuda mas nunca esteja disponível para dar uma mão quando caímos. É libertador deixar de perder tempo com pessoas assim. Já não me custa nada.

Só me falta aprender a não me irritar com o facto de não aceitarem em paz o meu afastamento e de dedicarem demasiado tempo a tagarelar e a debitar estupidez relativamente a isso. Havemos de lá chegar.

terça-feira, 16 de janeiro de 2018

voltar a tentar

Kate Hudson
Há dias estive com uma daquelas mulheres adultas, seguras e inteligentes, sem perfil para vítima. A conversa não termina e há sempre qualquer coisa para partilhar, para contar, para pensar em voz alta. E também essas mulheres que não são cola, persistentes ou desesperadas sentem dores de amor. Essas, que abrem a porta para que ele possa sair quando quiser, também sofrem com a partida do outro. Também choram, mesmo que não corram atrás. Mesmo que não façam o jogo da coitadinha.

E no meio do tanto que falámos, ficou cá dentro uma questão. É que acho sempre intrigante que alguém abandone algo maravilhoso para voltar a um lugar onde o topo é mediano. O que leva alguém a deitar a perder um futuro promissor em troca de um passado gasto, velho e bafiento, um sítio de memórias? 

Não há argumento - a não ser o Amor - que me convença de que vale a pena voltar a tentar. Pode ser que funcione? Não vai acontecer. Pode ser que a paixão reacenda? Talvez, por breves instantes, mas num ápice o dia-a-dia a apagará. Temos uma história juntos e isso une-nos para sempre? Sem dúvida, mas à distância é menos nocivo e laços não são nós. As nossas famílias ficam mais felizes assim? E são as famílias que vão andar aos beijos com o outro? O outro precisa de mim? E tu? Do que precisas tu?

Não há como fazer renascer o que morreu. Não há como desfazer a bola de neve de ressentimentos que acabará por explodir ao mínimo disparar de gatilho. Não há como forçar harmonia. 

Será falta de inteligência, o ceder a qualquer tipo de pressão para viver uma vida que não nos realiza, preenche ou fascina?

Que fraqueza é essa que leva tantos a ter medo da felicidade para preferir o mofo de um canto escuro?

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

e a realidade?

Às vezes cansa-me sentir que vivo numa Torre de Babel, como se todos falassem um idioma diferente do meu. Há pessoas perto de quem me sinto uma santa aborrecida, de tão louca a sua loucura. Outras, junto das quais pareço uma leviana, de devaneio em devaneio. 
Às vezes preciso de parar para me recentrar e lembrar, mais uma vez, de que estou no lugar certo. Está tudo bem. Preciso de parar para que não me afectem os olhares condescendentes de quem não entende, lá do fundo da sua pequenez, que a minha vida está maravilhosa fora da norma instituída e que sou feliz com tudo o que me rodeia e que sou. Para que não me firam as opiniões rasteiras de quem prioriza o verbo ter, nesta era em que a aparência é engolida como verdade absoluta e inquestionável e em que o conteúdo é tido como irrelevante.

Sou do amor, do que a retina não capta. Prefiro o doce ronronar da minha gatinha a elogios interesseiros. Sou estranha, não acredito no poder que me tentam impingir e questiono tudo e todos. Acima de tudo, sou fiel à minha essência e ouço-me. Respeito-me.

Então, quando me tentam avaliar através de algo que não seja parte do que sou, sinto-me indignada. Quando me tentam diminuir porque não mostro interesse pelo que toda a gente se interessa, irrito-me. Quando me tentam atribuir importância com base no que tenho, fere-me. Quando alguém tem a ousadia de me inquirir acerca das minhas escolhas, dói-me. 

Não julgo quem é feliz com vidinhas certinhas, constantes e planas. Não julgo quem não sonha alto, quem se acomoda com felicidades diferentes da minha. Porque haveriam de fazer isso comigo? Com que direito?

Não me relaciono com pessoas por interesse e desprezo quem se faz valer de uma hipotética hierarquia qualquer para comprar amizades. Fujo disso, não faz parte do meu mundo. Nunca precisei das ajudas de pseudo poderosos, rejeito-as e nunca prestarei reverência a gente para quem o ter é mais importante que ser ou dar. Não sou hipócrita, não me vergo, não bajulo. Não é arrogância, é coluna vertebral.

E hoje, it's all about smoke and mirrors. Todos fingem, imitam, copiam, constroem fachadas de plena ilusão, sem que haja qualquer densidade por trás delas. E todos acreditam no mérito apregoado, na mentira gritada, na felicidade criada. 

E a realidade?

Parece que quase todos se esqueceram dela. Como se de uma língua morta se tratasse, vai deixando de existir para dar lugar à falsa e superficial aparência.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

uma pitada de amor

Charlotte Casiraghi
"Tu não tens mau feitio, mana. Tu tiveste uma educação do caraças."

Ela tem razão. E é essa educação que me torna intolerante a tantos comportamentos.

quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

escrevi algures...

Keira Knightley

«Um metro e setenta de mulher com mais tomates que a maioria dos homens que conheço. Não me venham com tretas sexistas nem finjam aquele choquezinho púdico porque a Ana escreveu "tomates". Deus e os meus pais fizeram-me assim, tão franca como bruta, tão directa como doce, tão honesta como educada... e às vezes as boas maneiras são colocadas na prateleira porque não há outra forma de reivindicar o respeito mínimo que exigimos dos outros. Por norma, peço deles o que dou. 
Talvez o problema seja exactamente esse: dar muito. Demais. Ser muito. Demasiado. Ser tanto que me é difícil perceber a pequenez da norma. Nem toda a gente teve berço, nem toda a gente tomou o chá pela colher e nem toda a gente é dotada desta sensibilidade profunda com que fui abençoada.» 

E a verdade é que comecei 2018 orgulhosa da pessoa em que me transformei - aquela que sempre quis ser - e grata, porque é maravilhoso saber que no meio deste mar de gente louca, há alguns que percebem a essência desta maneira de ser que é tantas vezes injustamente apelidada de mau feitio.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Bom e barato, no LIDL!

[ gama Gold by Cien ]
Não é novidade: desde que a DECO apontou como melhor creme anti-rugas o Cien Q10, entre os 15 testados, gerou-se um enorme buzz em torno dos cremes comercializados pela cadeia de supermercados. O produto esgotou um pouco por toda a parte por ter sido considerado muitíssimo eficaz e devido à sua excelente relação qualidade/preço, quando comparado com marcas com cartas dadas no mundo da cosmética. 

Conheço quem os use e experimentei o tal creme de dia sem ter sucumbido ao fascínio. Senti-me untada e a minha pele é extremamente sensível, pelo que nada me faria abrir mão da Clinique - nem os preços.

Como sabem todos os que me acompanham por aqui, o contorno ocular é a zona do rosto a que dedico mais atenção. Desde pequenina que tenho olhos papudinhos, traço que herdei da minha mãe e do meu avô. Até aí tudo bem, gosto dos meus olhos e não me imagino sem essa característica tão marcante. A questão é que basta uma crise de sinusite mais grave, uma noite mal dormida, um nadinha de cansaço ou uma lágrima de comoção para que o inchaço me dote de uma expressão muito mais pesada. Por tudo e por nada, dou por mim com um papo gigantesco debaixo dos olhos e isso começou a incomodar-me. 

Como vos expliquei ontem, nas stories do Instagram, sempre usei o All About Eyes, da Clinique, em versão Rich e aliado ao sérum. Já não era suficiente, então recorri a vários tipos de eye patches, a máscaras de gel que se guardam no congelador, enfim... fiz várias experiências até me resignar e ficar convencida de que a idade tinha finalmente trazido o olhar cansado para  minha vida. 

Uma vez que não havia soluções cosméticas que me fizessem sentir satisfeita, comecei a ponderar elevar a fasquia e passar para gamas de produtos específicos para a zona dos olhos mais indicadas para peles maduras e já me imaginava, dentro de poucos anos, a submeter-me a uma blefaroplastia. Confesso que fiquei triste - não bastava a dor ciática para me fazer sentir pouco jovem?

Por mero acaso, chegou-me às mãos este creme da Cien. Desconfiei e tive receio de experimentar, contudo, depois de ouvir alguns testemunhos na primeira pessoa, apliquei nas minhas pálpebras hiper sensíveis. Não houve reacções alérgicas e quatro dias depois, estava incrédula.

Já tinha ouvido falar da linha Gold da marca, bem como da linha Caviar, mas estava longe de imaginar que a sua eficácia fosse tão óbvia. Afinal não estou idosa, só precisava de uma bomba que realmente me desinchasse os papinhos! Por menos de cinco euros, um efeito tensor imediato.

Quis experimentar por mais tempo antes de partilhar aqui os resultados e posso garantir-vos que não quero outra coisa. Não vou deixar de usar este produto, não quero outro. Mesmo depois de uma noite inteira acordada, não sinto os olhos a descair até ao queixo!

Incluí-o na minha rotina diária e uso-o de manhã e à noite. O creme tem uma textura muito leve, em gel, e é muitíssimo fácil de dosear devido ao aplicador estreito. O ouro presente na fórmula dos elementos que constituem esta gama é o ouro coloidal, que não é tóxico nem reage com outros produtos que sejam aplicados na pele. Sem parabenos e com preços entre os 3,99€ e os 5,49€, parece-me que não há razões para recear experimentar. 

Tenho mesmo pena de não ter tirado uma fotografia antes para poder confrontar com o resultado. Não sou a única a notar a diferença: "Já não pareces tão cansada!".

[ primeiro post do ano ]

Surpreendentemente, o meu Natal foi um dos melhores que vivi. Foi tudo o que poderia ter desejado e mais um pedaço. Tão simples como cheio de amor, tão delicioso como quente. O essencial e o luxo reunidos numa data que costuma ser triste no meu coração. Foi doce e eu queria poder estar lá, ainda. 

Depois veio a noite de Ano Novo, com um jantar na melhor das companhias e uma festa a que poderia ter faltado. Entrei em 2018 com as emoções e os sentimentos que não quero, de forma alguma, arrastar pelos novos 365 dias que vão chegando. 

Cada um leva o seu tempo com recuperações e eu precisei de algum para me recompor. Estou de volta.

sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

...e não se esqueçam de dar os parabéns ao aniversariante!

Na verdade, é isso que realmente importa. Já escrevi tanto sobre o Natal... não me apetece repetir o que sinto, o que penso, o que me faz nascer este nó na garganta quando o dia 24 se aproxima. 

Hoje, quero apenas desejar-vos que passem esta noite tão especial em paz, no aconchegante calor de uma casa quentinha e aromatizada pelos doces da época, rodeados de amor, sorrisos e gratidão.

Feliz Natal!

Quero Janeiro.

Fiz a viagem depois de um dia tão intenso como cansativo. Estava em esforço desde o início da semana mas não esmoreci. Tentei assegurar-me de que tudo o que estava ao meu alcance era feito. Apesar do cansaço e das dores físicas que teimam em magoar-me nos últimos meses, vim alegre, feliz por regressar. A estrada foi palco para matar as saudades da minha tia que sempre foi avó, conversámos muito, falámos imenso, dissemos muitas coisas. Descarregar o carro, malas e sacos, tanto para levar. E entro em casa.
Na minha casa.
Naquela que devia ser a minha casa.
Não demorou até que quisesse despachar esta merda toda do Natal e voltar para a minha única casa, o lugar que sinto como o meu lar, o meu porto de abrigo.
Só quero Janeiro.

quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Um fim traz sempre um começo



Partilho convosco aquele que é o meu último texto para o meu espaço Rendalíssima no Pombal Jornal no mês de Dezembro. É simultaneamente o último do ano. Poderia fazer o óbvio e cumprir o que se espera de uma stylist, deixando aqui sugestões de looks para brilhar na também última noite do ano. Muitas imagens e pouco texto, para melhor captar a atenção do utilizador do site e tornar a leitura leve e fácil. Lamento, não me apeteceu.

Como fugir do engate II

Recordo que todas as tácticas que partilhar aqui foram previamente testadas por mim, por isso prometo dar-vos apenas técnicas infalíveis para que o atrevido da falinha mansa se ponha a correr em poucos segundos.

Segunda maneira eficaz de fugir do engate: 

Assim que perceberem que ele não desiste de fixar o olhar nos vossos olhos, finjam que são estrábicas*. Basta manter os olhos tortos durante algum tempo e suportar as dores de cabeça que se seguirão com heroísmo.

(*) Não há razão para me enviarem e-mails a perguntar porque raio o estrabismo seria um problema, quem foge não sou eu, são os fulanos a quem fiz isto, portanto quem tem um problema com isso não sou eu, são eles.

[Podem ver a primeira edição desta rubrica aqui ]


terça-feira, 19 de dezembro de 2017

#neuradenatal

Beyoncé
É que sou sempre a mesma coisa! Todos os anos decido que em Novembro vou começar a tratar dos presentes de Natal e dou por mim na semana anterior num stress ridículo porque ainda não tenho nada!

Não sou a única, pois não?

o aconchego das coisas simples

Um copo de vinho, a sala quentinha, um documentário sobre a Kate Moss, o incenso a queimar. Há momentos em que não preciso de mais nada. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

O que mudou com os 30?

Uma amiga comemorou o seu 30º aniversário e perguntou-me se tinha sentido mudanças desde que abandonei a segunda década de existência. Senti. Tantas que vale a pena enumerá-las:

Já não faço fretes.
Aprendi a dizer que não sem me desculpar.

Não quero saber do que pensam de mim. 
Descobri que não é problema meu.

Deixei de ter pressa.
Agora sei que a minha vontade não acelera a vida.

Gosto mais de mim e por isso preservo-me mais.
Não me exponho a situações, pessoas ou lugares que não me façam sentir bem.

Gosto mais do meu corpo.
Não me incomodam os defeitos que antes me deixavam insatisfeita.

Dou menos importância ao que não me faz feliz.
Dedico-me às coisas simples e que me fazem sorrir sem esforço.

Não perco tempo com aquilo que não me faz bem.
Estou cada vez melhor na arte de controlar os meus pensamentos e tento focar-me apenas em elementos positivos.

Passei a ser mais selectiva.
Em tudo: no que compro, nos trabalhos que aceito fazer, na forma como gasto o meu precioso tempo, nas pessoas com quem convivo e a quem me dou.

Faço retenção de líquidos à bruta.
O meu corpo parece uma esponja.

Gosto mais do meu sofá.
Cada vez mais. Uma noite de sofá, em casa, sabe muito melhor agora do que antigamente mas não estou idosa, continuo a adorar uma noitada à séria!.

Nego completamente o desconforto.
Nos sapatos, nas roupas, na vida.

Tenho mais dores de costas.
Preciso de massagens diárias.

A minha pele não reage da mesma maneira às agressões externas.
Depois de uma noitada, tenho que usar máscaras e fazer tratamentos como se não houvesse amanhã.

Estou ainda mais atenta à minha voz interior.
Agora sei que não vale a pena ignorar os meus instintos.

Tenho mais dores no corpo inteiro.
O reumatismo piorou, a ciática começa a dar de si e não consigo estar muitas horas de pé.

Sonho menos, tenho mais objectivos.
Tenho uma visão mais pragmática da vida e mesmo quando não sei exactamente o que quero, tenho plena noção do que não quero.

Deixo fluir.
Aprendi que o que tiver de acontecer, acontece, independentemente do meu querer, dos meus desejos, da minha opinião.

quinta-feira, 14 de dezembro de 2017

Que as pessoas sejam estúpidas, pronto, é lá com elas...

...mas que subestimem a inteligência alheia é de um atrevimento que me deixa cega de raiva.

Lady Lamp fica fit (sqn) - #7

Agora sim, está a ser difícil.

No último post desta saga, falei-vos do meu fiel amigo, o chá de cavalinha. Hoje, o que partilho não motiva ninguém. É um lanche com as stylists, um jantar com antigos colegas de curso, um almoço com amigos, outro com outros amigos, mais um com o outro grupo de amigas... ser uma pessoa tão dada ao convívio piora o nosso Dezembro - no que à agenda diz respeito e acima de tudo, no que à dieta diz respeito.

Por mais séria e determinada que seja quanto à alimentação e aos meus objectivos, a verdade é que não estou disposta a comer uma sopa e um queijo fresco quando vou ao meu italiano preferido. Não quero pedir uma salada quando o que me apetece é pedir sobremesa. Não vou optar por uma fruta quando está tudo de croissant em punho. E não, não vou obrigar toda a gente a encontrar-se comigo num spot a atirar para o saudável porque as pessoas querem é conversar durante horas enquanto se deliciam com tudo a que têm direito e bebem um bom vinho sem pensar nas calorias que lhes vão apertar as roupas. 

Assim sendo, sinto-me obrigada a declarar este mês como "a pausa", dado que só quando não estou em eventos tenho a possibilidade de manter a regra de que tanto gosto. Uma vez que até Janeiro tenho eventos agendados para quase todos os dias, vai ser difícil cumprir o meu plano à risca até ao início de 2018. 

Se estou frustrada? Nada. 

Não é um mês agitado que me vai impedir de alcançar o meu objectivo. Além disso, Janeiro vai ser o meu mês de detox. Mal posso esperar!

#ladylampficafit
#sqn

quarta-feira, 13 de dezembro de 2017

Desbloqueadores de conversa com o engate na mira:

"- Vejo nos teus olhos que és alguém que quer mais da sua profissão. Queres ir mais longe. Eu também sou assim. Vamos dar-nos bem."

[ver anterior]

terça-feira, 12 de dezembro de 2017

das minhas tristezas que Dezembro agudiza.

Claro que dói. Claro que custa. Mudou tudo, desde que era só uma menina. Já não está cá a minha Vó, os meus pais já não são casados, apesar de terem uma excelente relação e de continuarmos a ser família todos juntos, que eles são nossos pais para todo o sempre e nas datas importantes fazemos questão de estar juntos - em família. Nem toda a gente compreende mas somos assim e é assim que funciona para nós. Somos família. Mas claro que custa. Não há a casa antiga, há tantas ausências - uns morreram, outros não - e tudo mudou. A maioria dos casais já se divorciaram, o mundo está todo diferente, temos todos mais cicatrizes e eu aqui, a ver a mudança acontecer sem perceber ao certo o que se passa. Dói, claro que sim. Dói já não haver quem acredite no Pai Natal. Dói já não ser pequenina. Fui tão feliz sem saber.  

E quando o pai me ofereceu a árvore de Natal exactamente como queria, pequenina e frondosa, para trazer para Lisboa, doeu. Não foi só a comoção que fez a Mana chorar quando viu o presépio amoroso, dentro de uma bola de vidro, com que também nos presenteou. A lágrima foi culpa da tristeza de saber que temos outra casa, outro lugar. Que a nossa é mais nossa que a do pai ou que a da mãe. Que estamos a crescer e que tudo mudou. E não é tão perfeito assim. Não é tão bom assim. Não é. 

Nada é. 

Se fosse, não sentiria apertar a garganta antes da Consoada, ao ver aquela mesa tão bonita e farta, por me lembrar daqueles que vão passar a noite mais marcante do ano ao frio. Sem casa, sem um quarto quentinho como o meu, sem uma cama com lençóis de coralina, sem o fogo da lareira. Se fosse, não haveria pessoas a viver o Natal sentindo menos amor que os meus animais. Se fosse, não me doía. Não me custava. 

quinta-feira, 7 de dezembro de 2017

Ex

Beyoncé
Sabem aquele ex que é obcecado por nós e não admite que ele é que nos vê em todo o lado então passa a vida a dizer que fulana é a nossa versão mais nova, beltrana é a nossa versão mais velha e sicrana é a nossa versão campónia?
Não sabem?
Sorte a vossa.

Que insulto.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Como fugir do engate I

No seguimento dos posts "Desbloqueadores de conversa com o engate na mira", decidi criar outra rubrica: Como fugir do engate. 

O nome não poderia ser mais explícito - o objectivo é explicar-vos como me safo de situações constrangedoras, conversas da treta, engate barato e pessoas desinteressantes, criando momentos awkward sem abrir mão da criatividade e da diversão e acima de tudo sem me preocupar com o que vão pensar de mim. O que realmente importa é ver-me livre do cromo que decidiu tentar a sua sorte comigo ao mesmo tempo que crio uma história para partilhar à mesa entre muito riso. Todas as tácticas que partilhar aqui foram previamente testadas por mim, por isso prometo dar-vos apenas técnicas infalíveis para que o atrevido da falinha mansa se ponha a correr em poucos segundos.

Vamos lá? Primeira maneira eficaz de fugir do engate:

Quando, depois de notarem que há dez minutos que não desvia o olhar e já está a ser incómodo, ele vier falar convosco, finjam que estão a falar linguagem gestual*.

(*) Não há razão para me enviarem e-mails a perguntar porque raio falar em linguagem gestual seria um problema, quem foge não sou eu, são os fulanos a quem fiz isto, portanto quem tem um problema com isso não sou eu, são eles.

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

dos meus amores

Já tive a imensa sorte de poder viver um amor como nos filmes. Se retroceder uma vida inteira, consigo lembrar-me de como tudo era intenso - o maravilhoso e o péssimo. Lembro-me de como é ver alguém através dessa lente com que a paixão embeleza tudo, das borboletas no estômago, dos ciúmes doentios, do sofrimento a fazer-me gemer de dor, do rosto no chão gelado, das lágrimas incontroláveis. Lembro-me de querer agradar, de amar pura e simplesmente, de viver numa dádiva constante do que sou, do que quero ser, do que não imaginava ser. Lembro-me de não acreditar na probabilidade de que existisse uma pessoa, no meio de tantas no mundo, que me quisesse como eu a ela. De me sentir feliz. De me sentir morta por dentro quando a fragilidade do castelo de cartas o fazia desmoronar-se. Recordo com carinho os momentos pirosos e ridículos, tão ridículos como tudo o que é romântico consegue ser. Cantar no meu ouvido, rir sem motivo, acordar-me a meio da noite com surpresas à minha espera do lado de lá da janela do quarto. Vivi tudo isso. O maravilhoso e o péssimo.

Era amor. Como nos filmes. Só que a diferença entre esses e a vida real é que na segunda, nem tudo tem que fazer sentido. Por isso, em vez do Felizes para Sempre em união, cada um seguiu o seu caminho, separado da felicidade do outro.

Apaixonei-me muito poucas vezes. Talvez três. Não acontece muito ser completamente arrebatada porque não me impressiono facilmente. Aqueles por quem me apaixonei perdidamente foram potenciais amores. Só não foram amores porque as histórias não se prolongaram pelo tempo. Ficou guardado em mim o amor que haveria de ser, secretamente, sozinha com o frasquinho bem escondido cá dentro.

Um deles, sei que não vou esquecer. Conhecê-lo mudou o que sou. A nossa história afectou vidas à nossa volta (às vezes duvido de que tenha plena consciência desses factos). E talvez por isso o ame tanto, num amor que não é concretizável nem declarado, ainda que não goste da totalidade da pessoa que é - e eu podia jurar que quando amamos, até os defeitos são amados, porque incluem o todo de que se faz o objecto da nossa afeição.

Ele talvez pense que o espero, num engano qualquer, fruto de má interpretação das minhas atitudes ou de insuficientes explicações da minha parte. Não o espero. Desisti quando me desencantei. Apaixonei-me pelo seu potencial e não pelo homem real que tinha perante os meus olhos, já vos aconteceu?

Se lamento? Já lamentei. Se choro? Nem imaginam o que chorei. Se dói? Já gastei a dor. Sobrou um "gosto muito de ti", que é tudo o que posso dar e sentir e em que não cabe tudo o que lhe poderia dizer. Não sei até quando estará presente na minha vida, não posso imaginar até quando serei alguém na vida dele. Sei que o acho tão bonito que se Deus quisesse desenhar alguém só para mim, seria aquele homem. Não demasiado boneco nem com ares de modelo. Só homem. E com a voz mais bonita do mundo.

Talvez seja uma coisa de almas, não sei o que nos faz não cortar definitivamente, uma vez que não precisamos um do outro nem cabemos na vida um do outro. Mas conheço-o por dentro, sei que nunca irá mudar, que não há alternativa possível e aceito esse facto com naturalidade. Respeito a sua natureza livre, a sua incapacidade de ser leal ou de se comprometer. Nada disso me faz deixar de o ver, àquele pedacinho dele que quero acreditar que quase ninguém sabe que existe. E olho para ele e não vejo mais nada. Olho para ele e sei que tudo o que de utópico e de trágico vivemos, de tão profundo, pode ser razão para que não nos percamos de vista.

Gosto de pensar que somos amigos. Gosto muito dele. De olhar nos olhos, de lhe dar a mão, de o ouvir dissertar sobre as mais práticas questões mundanas e os mais abstractos e metafísicos devaneios. Se estiver num lugar e ele entrar no mesmo espaço, vou senti-lo presente antes de o ver. Não há um dia em que não me lembre dele. E não quero morar naquele abraço, ainda que seja tão bom sentir-me em casa sempre que o sinto.

Depois do nosso início, depois dele, depois da violência do que vimos acontecer, depois de tudo isso, mudei. Gelei. "Lá estás tu a chorar" - é que tenho pena das partes de mim que se foram também. Talvez crescer seja isto. Talvez a nossa essência nunca desapareça e eu volte a ser quem fui quando chegar esse tal momento, essa tal pessoa. Espero que não, na verdade. Gosto mais de mim fria e cínica. Sem floreados. Muito mais. E também gosto mais do meu olhar sobre ele agora. Mais cru.

Prefiro ser rainha de um reino pequeno a súbdita de um grande.

Minto. Quero ser rainha de um grande reino.